Uma "crítica" às pressas, para não dar preguiça depois.
Como disse um amigo meu, é mais ou menos "Cidade de Deus + Forrest Gump".
Forrest Gump eu não me lembro, graças a deus minha memória apagou. O que eu achei interessante é que o filme corrige alguns "problemas" de Cidade de Deus. Porque Cidade de Deus não é a história do Buscapé, é a história do Dadinho/Zé Pequeno sem admitir que é a história de um traficante.
(Daqui pra frente quem não quiser saber o final do filme não leia)
Pois bem, Slumdog é quase a história do irmão do Jamal (é esse o nome né?), porque o filme todo Jamal quase não age, só o irmão dele age e motiva os acontecimentos, a única coisa que Jamal faz é ir atrás da mocinha, mas quem faz Jamal e o filme irem pra frente e inclusive liberta a mocinha pro Jamal é o irmão dele.
Danny Boyle, além da história de amor, joga no terreno da fantasia, portanto tá tudo liberado. "Estava escrito" né? Com a ajuda do destino e do irmão pouco importa se o protagonista é um tapado. Assim como em Cidade de Deus Jamal também é o narrador da história, porém ao invés daquela voz off chatérrima de Buscapé, em Slumdog Jamal narra as peripécias para o delegado. Danny Boyle, seu malandro! O roteiro é engenhoso, mas infelizmente a mocinha não é construída, terminamos o filme sem saber quem aquela personagem é. Quanto à fotografia, particularmente eu não gosto daquele estilo, toda hora me perguntava se para ser moderninho PRECISA enquadrar “torto” (rs...) A montagem é eficiente, o filme tem duas horas que passam sem sofrimento.
É evidente que a questão de um diretor inglês retratar a ex-colônia da Inglaterra coloca problemas de representação, fingir que isso não existe é ser ingênuo demais. Eu achei péssimas as cenas do cocô e cegando o menino (superdesnecessário e apelativo). Mas o Danny Boyle finge que o problema não é com ele porque não tenta ser realista como Cidade de Deus (rá!), ele está no terreno da fantasia, então esses problemas de representação são amenizados (mas permanecem).
No que se propõe, o filme é bom. Os atores são muito carismáticos e a história é bem contada. No meu gosto pessoal, dou 6,5 principalmente pela engenhosidade do roteiro. Por fim, não estou mais interessada só em gostar ou não gostar de filmes, sei lá, é tão legal pensar e falar sobre as escolhas feitas nos filmes sem precisar necessariamente amar ou odiá-los.
P.S: tem uma peça brasileira, Novas Diretrizes em Tempos de Paz, na qual um fugitivo da Alemanha quer entrar no Brasil e convence o interrogador a dar-lhe o salvo conduto contando-lhe uma história. Tenho o texto se alguém quiser.