12 Março 2009

Homofobia na propaganda de Doritos

Vários protestos na internet reclamam da nova propaganda de Doritos (abaixo).



Quatro amigos num carro. O mais baixinho e narigudo deles (portanto "DIFERENTE" dos outros) começa a dançar (historicamente na maior parte da cultura ocidental dançar sem estar acompanhado de uma mulher tem conotação homossexual). Os amigos olham para ele surpresos e com ar interrogativo. Oras, se fazem isso porque esse não é um comportamento usual (leia-se "normal").
Daí a marca Doritos cobre o rosto (rosto = identidade) do garoto, e uma voz, usando um verbo no imperativo cala a música, calando portanto a identidade e a manifestação daquele garoto.
Eu poderia dizer que a propaganda é apenas "lamentável". Mas é lamentável, homofóbica, retrógrada e incompetente. Numa época na qual um filme sobre um ativista gay está bombando e a parada gay tem mais de um milhão de participantes algum "gênio" da publicidade decide mandar as mensagens: "não saia do armário" e "os jovens são imbecis, seus amigos não vão te entender".
Não, nem todos os jovens são imbecis. Por isso muitos já estão boicotando a marca e manifestando-se no CONAR contra a propaganda. Sugiro que todos façam o mesmo: http://www.conar.org.br/

07 Março 2009

Se fosse só o bispo...

Que o bispo é um babaca e a Igreja Católica é uma das 10 piores coisas que já existiram sobre a face da Terra não há dúvida. Mas bora combinar que essa discussão é sensacionalista né? Esperavam que um bispo falasse o quê?

Infelizmente há outros pontos que a imprensa poderia focar e não aborda. É muito difícil para uma mulher que foi vítima de estupro ter a assistência que lhe é garantida por LEI. No caso dessa menina grupos feministas foram lá e explicaram à mãe os direitos, o médico seguiu a lei, etc. Em muitos casos (principalmente no interior do país), o que acontece é:

a) não acreditam que a mulher foi estuprada ou acham que ela "provocou";
b) não há policiais preparados para lidar com esse tipo de ocorrência;
c) não há na cidade um hospital que realize o procedimento;
d) médicos se recusam a seguir a lei;
e) todas as anteriores.

A imprensa ao invés de ouvir CNBB, Vaticano e a pqp poderia usar esse caso para abordar como em muitos casos há uma Inquisição contra as mulheres que tentam garantir o DIREITO ao aborto em caso de estupro. E essa atitude não vem apenas de bispos anacrônicos, às vezes parte do sistema policial e de saúde.

E daí toda a respeitável opinião pública fica chocada: "o bispo é tão mau, e nós somos tão bons..." Dá até pra sonhar que a opinião pública se preocupa realmente em garantir os direitos da mulher.

Nota do grupo "Católicas Pelo Direito de Decidir" aqui.

27 Fevereiro 2009

Slumdog Millionaire

Uma "crítica" às pressas, para não dar preguiça depois.

Como disse um amigo meu, é mais ou menos "Cidade de Deus + Forrest Gump".
Forrest Gump eu não me lembro, graças a deus minha memória apagou. O que eu achei interessante é que o filme corrige alguns "problemas" de Cidade de Deus. Porque Cidade de Deus não é a história do Buscapé, é a história do Dadinho/Zé Pequeno sem admitir que é a história de um traficante.

(Daqui pra frente quem não quiser saber o final do filme não leia)
Pois bem, Slumdog é quase a história do irmão do Jamal (é esse o nome né?), porque o filme todo Jamal quase não age, só o irmão dele age e motiva os acontecimentos, a única coisa que Jamal faz é ir atrás da mocinha, mas quem faz Jamal e o filme irem pra frente e inclusive liberta a mocinha pro Jamal é o irmão dele.
Danny Boyle, além da história de amor, joga no terreno da fantasia, portanto tá tudo liberado. "Estava escrito" né? Com a ajuda do destino e do irmão pouco importa se o protagonista é um tapado. Assim como em Cidade de Deus Jamal também é o narrador da história, porém ao invés daquela voz off chatérrima de Buscapé, em Slumdog Jamal narra as peripécias para o delegado. Danny Boyle, seu malandro! O roteiro é engenhoso, mas infelizmente a mocinha não é construída, terminamos o filme sem saber quem aquela personagem é. Quanto à fotografia, particularmente eu não gosto daquele estilo, toda hora me perguntava se para ser moderninho PRECISA enquadrar “torto” (rs...) A montagem é eficiente, o filme tem duas horas que passam sem sofrimento.
É evidente que a questão de um diretor inglês retratar a ex-colônia da Inglaterra coloca problemas de representação, fingir que isso não existe é ser ingênuo demais. Eu achei péssimas as cenas do cocô e cegando o menino (superdesnecessário e apelativo). Mas o Danny Boyle finge que o problema não é com ele porque não tenta ser realista como Cidade de Deus (rá!), ele está no terreno da fantasia, então esses problemas de representação são amenizados (mas permanecem).
No que se propõe, o filme é bom. Os atores são muito carismáticos e a história é bem contada. No meu gosto pessoal, dou 6,5 principalmente pela engenhosidade do roteiro. Por fim, não estou mais interessada só em gostar ou não gostar de filmes, sei lá, é tão legal pensar e falar sobre as escolhas feitas nos filmes sem precisar necessariamente amar ou odiá-los.

P.S: tem uma peça brasileira, Novas Diretrizes em Tempos de Paz, na qual um fugitivo da Alemanha quer entrar no Brasil e convence o interrogador a dar-lhe o salvo conduto contando-lhe uma história. Tenho o texto se alguém quiser.

23 Fevereiro 2009

Divas

Quem é que é tão linda, mas tão linda que pode usar apenas um pretinho básico, brincos incríveis e o marido como acessórios?

Fazendo a linha "vou perder mas não tô nem aí"


E FINALMENTE!!!!!!!!! Depois de seis indicações, depois de ser esnobada por ser inglesa, depois de ser esnobada por ser gordinha, depois de perder para namoradinhas da América retardadas:

Kate Winslet de Yves Saint-Laurent, nas duas fases de "The reader" e em "Revolutionary Road" (clique na imagem para ampliar)

Kate sempre usa vestidos diferentes, adorei o cinza (cor de atriz séria!), os brincos e o penteado: DIVA! Não existe nada mais chique do que personalidade (ouviu Anne Hathaway?).
E Oscar de figurino foi para A Duquesa. Sempre escolhem os figurinos do século XVIII ou XIX, o que eu acho nada a ver. O figurino de Revolutionary Road era bem melhor, traduzia perfeitamente as caraterísticas das personagens (que é a função maior de um figurino, não basta apenas ser bonito).
Mas Kate ganhou e é isso que importa. Abaixo o link com o discurso dela. É imperdível (reparem na parte que o pai dela assovia pra Kate achá-lo!)

Vestidos do Oscar

A Milena já tá falando do Carnaval no blog dela. Como eu tô cagando pro Carnaval e com preguiça de escrever um post sério, vou falar dos vestidos do Oscar mesmo.

Tem uns vestidos que os blogs de moda elogiaram mas eu não gostei (clique na imagem para ampliar):

Marisa Tomei, Anne Hathaway, Sarah Jessica Parker, Penélope Cruz
Dane-se que o vestido de Marisa é um Versace, achei que dobradura e rabo de sereia não combinaram. A Anne Hathaway nunca se arrisca. Eu só a vejo vestindo preto, vermelho e creme, em modelos certinhos mas sem novidade, me dá MUITA preguiça das roupas dela. A Sarah não vai parar de vestir-se como Carrie nunca né? Não abandonou a personagem ainda. A Penélope Cruz foi vestida de noiva, pronto falei.

Vestidos que adorei (clique na imagem para ampliar) :

E van Rachel Wood (Elie Saab), Amy Adams (Carolina Herrera), Marion Cotillard (Dior)

O branco da Rachel Wood é lindo, e ficou bem legal e jovem com maquiagem e unhas escuras. A Amy roubou a cena: ruiva, vestido vinho e colar grande, aprendiz de Nicole Kidman. E o vestido da Marion é lindo, além disso ela é linda e francesa.

Natalie Portman, Heidi Klum e Beyonce

O vestido da Natalie não é feio, mas eu simplesmente detesto esse tom de rosa, me lembra madrinha de casamento. Mas ela não ficaria feia nunca, então tá valendo. Heidi e Beyonce me deram vergonha.
(continua...)